PARENTALIDADE: INFORMAÇÃO DEMAIS – O MAL DO SÉCULO XXI

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Rita Camargo – Pediatra

Na minha prática pediátrica, vejo isso todos os dias: os pais se sentem perdidos. Notem, não é uma crítica. Os pais querem acertar, não querem fazer o mal para seus filhos. Acontece que a quantidade de informações que estes recebem e buscam na internet não os ajuda, apenas faz com que eles se sintam mais perdidos e inadequados ao manejar situações simples com seus filhos.

Nunca houve, em nenhum momento da humanidade, acesso a tanta informação como temos hoje. Somos bombardeados por centenas de informações novas todos os dias. Informações desencontradas, de baixa qualidade, superficiais.

Os nossos pais não viveram a era digital. Pode ser que eles não utilizassem das técnicas mais adequadas no manejo de bebês e crianças, mas eles tinham CONSISTÊNCIA. Sabiam o que fazer com os comportamentos dos filhos, faziam isso de forma sistemática. A criança também sabia qual era o seu limite: “se eu fizer isso, vou ganhar uma palmada/castigo”. A consistência e o limite são primordiais na criação dos filhos, e hoje vemos dificuldades em estabelecer isto.

Nunca houve tanto distanciamento entre uma geração e outra como existe hoje, entre nossos pais e nós. As informações dos pais da geração anterior não são levadas em conta, dando-se preferência a conteúdo superficial que buscamos na internet.

Mas e a qualidade  da informação online?  Tenho pensado muito sobre meu modo principal de comunicar, que é escrevendo em meu blog. Pelos estudos em mídia da informação, o meu modo de comunicar não é o preferido pelas pessoas. Pessoas preferem informação em vídeo curto com forte apelo emocional. Esta é a informação preferida, que “viraliza”, é compartilhada. Porém, um vídeo de 5, 10 minutos não consegue atingir a profundidade de nenhum assunto.

Sabe o que falta hoje? Interação. Conversa frente a frente. Busca de informação de qualidade, baseada em evidência científica. Dedicação a aprender um conhecimento em sua profundidade.

Meu meio preferido de comunicar pode não ser o preferencial, mas ainda assim, prefiro isso do que os vídeos do Instagram e Facebook. Se for para escolher comunicar de outra forma, é frente a frente, presencial, com chance de interação e responder perguntas das pessoas, um tipo de interação que está cada vez mais rara e limitada.

Para criação de filhos, como mãe e pediatra, de forma resumida, recomendo:

– Conheça sobre desenvolvimento infantil.

– Diminua a conectividade e olhe para seu filho, preste atenção a ele, consistentemente.

– Reduza muito o acesso da criança a telas, seja TV, tablet, celular.

– Fale com seu filho, frente a frente com ele, ao nível dele.

– Aprenda sobre estimulação infantil adequada para a idade da criança.

– Seja consistente em relação ao cuidado, e no manejo dos comportamentos do seu filho.

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3 comentários

  1. Rita, não mude sua forma de se comunicar. Sempre leio o que pública e compartilho com pacientes e amigos. Peço sempre para quem eu conheço para ler coisas de qualidade. Sou fonoaudióloga e trabalho com a infância e entendo o seu esforço. Sigamos na luta!

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  2. Boa tarde Dra. Rita…Tudo bem? Dra. fiquei  te  conhecendo pessoalmente no Seminário do  Autismo  que tivemos  em abril deste  ano, quando vc se manifestou no Seminário! Já  havia  ouvido  falar  do seu trabalho e que você tem três filhos  autistas.Bem, sou professora do AEE- Atendimento  Educacional  Especializado  no Centro  Educacional  Willy  Schleumer, onde atendo vários  estudantes  com suas diversas  deficiências  e Transtornos, trabalho  há área da  Educação  Especial  há 9 ano e meio, dentro da  Educação  Especial,  o que  mais amo é  a parte da Estimulação Essencial que trabalha   a estimulação  dos bebês e a primeira infância, a outra parte  é a alfabetização dos estudantes especiais, por isso venho  informar  que  estou  a disposição para  atender  crianças  especiais que se encontram nas fases  descritas, especificamente  na fase de alfabetização, atendendo assim  após o meu horário de trabalho, ou seja das  17:30  em diante, preço  acessível, tenho  duas  vagas, sou  formada  na área de Educação  Especial, Educação  Inclusiva, Libras  e Braille, já trabalhei por 7 anos e meio em APAES, tenho referência em atendimento  particular  também. Caso , você  souber  de alguma  mãe que precise desse  atendimento, me  informe  pelo meu Whatssapp- 9-88443555. Att, Professora AEE- Atendimento  Educacional  EspecializadoEliane  Vivan de  Lima 

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