Aumento nos Casos de Autismo

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Rita Camargo, Pediatra

 

O autismo, de acordo com publicação do CDC em 2018, afeta 1 em 59 crianças. Vemos aumento de casos de autismo a cada ano, e as razões deste aumento provavelmente não se relacionam apenas com a mudança nos critérios diagnósticos.

Os fatores relacionados são muitos e diversos. Pesquisadores dedicam suas vidas a estudar a relação genética, hereditária, ambiental, alimentar, exposições diversas que possam ter associação com o fenômeno de aumento do autismo na população mundial.

Cada vez mais conhecemos a genética do autismo. Genes autistas vem sendo identificados há vários anos. Já são centenas de genes, com maior ou menor associação ao autismo, e estão presentes em todos os cromossomos do ser humano. A genética tem um papel importante no desenvolvimento do autismo, e nos estudos mais recentes, quando um filho é autista, o risco de autismo na prole seguinte está em cerca de 33%.

A genética autista é presente na maioria das pessoas, e estudos vem mostrar que traços autistas sempre desempenharam um papel importante na evolução humana (até na pré-história), como a atenção a detalhe, a capacidade de foco muito grande em atividades complexas, e capacidade de raciocínio lógico, espacial e visual aumentados e precisos.

 A EPIGENÉTICA, que é a parte da biologia que estuda o surgimento de modificações na aparência, no surgimento de traços , comportamentos e sintomas diferentes sem que haja uma mudança no código genético, parece começar a lançar luz no grande quebra-cabeças que está envolvido no aumento de casos de autismo.

Por motivos diversos, estes genes autistas presentes na maioria das pessoas começam a se expressar, isto é, ao invés de se manterem inativos, estão sendo ativados e determinando manifestações no funcionamento e comportamento das crianças.

Muitos estudos demonstram que quanto mais precoce é a intervenção, menor ficam os sinais de autismo na criança quando eles têm 3 anos, 5 anos, adolescentes.

Em maio 2018 assisti uma palestra do Dr. Carlos Gadia em que os sinais de autismo podem já ser percebidos antes do primeiro ano de vida, e sugerindo que a intervenção antes de 1 ano de idade pode ter um resultado de PREVENÇÃO do autismo.

Eu acredito que, nos dias de hoje, não há mais lugar para a negação dos sintomas, o esperar para ver, o foco no diagnóstico definitivo de autismo. Precisamos identificar sinais de risco para autismo e agir muito precocemente, com intervenções que podem modificar a natureza do autismo.

Aos 15 meses, por exemplo, podemos perceber sinais de risco que são importantes e que não podem ser negligenciados. Se nessa idade a criança não aponta, não fala palavras, não dá tchau nem manda beijo quando solicitado, não tem uma boa atenção compartilhada com pais e cuidadores, estudos recentes demonstram que há extremo benefício que ela receba intervenção precoce. Não há benefício nenhum em esperar para ver.

Agora, é importante que se iniciem políticas que realizem intervenções cada vez mais precoces de forma efetiva e acessível. Há que se mudar essa consciência para que nossas crianças sejam pessoas extremamente produtivas na sociedade, no futuro.

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