AUTISMO além do diagnóstico – Cada criança merece ser incluída

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É comum, ao sabermos que uma criança tem diagnóstico de autismo, seja visto nela apenas isso: a palavra AUTISMO. Pessoal, autismo é apenas uma palavra. Estamos falando de crianças reais, que têm preferências, atitudes, gostam de coisas e de pessoas, e que precisam ser inseridas em seu meio de convívio em toda plenitude.

O medo da palavra autismo ocorre até entre os pais da criança autista. Vejo, frequentemente, que a negação quanto aos comportamentos ao desenvolvimento atípico é a regra. Com o tempo, quando começa-se a investigar, há uma verdadeira missão atrás do diagnóstico. É um momento de muito stress, porque o autismo tem muitas caras. Cada criança é diferente, com comportamentos muito diferentes. Há uma dificuldade em aceitar o rótulo. Há muitas concepções erradas a respeito do autismo: autistas não são carinhosos, mas meu filho é carinhoso. Autistas não sabem fazer tal coisa, mas meu filho sabe… E aí, podem ocorrer vários caminhos que os pais podem seguir:

A NEGAÇÃO: ela ocorre pela dificuldade em entender que o autismo não é igual em toda criança. A não existência de um sintoma comum não exclui autismo. Atualmente, o diagnóstico de autismo ocorre quando há alteração na comunicação associado a comportamento ou interesse restritivo ou repetitivo. Tem criança que não sabe falar, tem criança que sabe falar. Mas falar e comunicar são coisas diferentes. A falha não é, especificamente, no falar, e sim no comunicar. Também, ocorre a negação por uma necessidade forte dos pais de tentarem proteger seu filho. Há impressão de que, se eu diminuir a exposição dele, vou protegê-lo. Esse é um caminho arriscado, pois corremos contra o tempo, contra as janelas de oportunidade de aprendizado, e na tentativa de proteger, falhamos em estimular e incentivar habilidades importantes na criança.

A ACEITAÇÃO: A aceitação é importante, é um momento onde não se nega mais a existência do diagnóstico, e a criança passa a receber terapias essenciais ao seu desenvolvimento. Porém, nem sempre, a aceitação do diagnóstico é saudável. Seja em casa, na escola, ou outros locais, existe o risco de que a criança autista seja vista apenas pelo seu diagnóstico. Passamos a não esperar muito dela, e justificar alterações comportamentais como causadas pelo autismo, e passam a ser toleradas, consideradas imutáveis. Ah, é que ele é autista, então é assim mesmo. Essa atitude limita o desenvolvimento da criança, e não a insere totalmente na sociedade.

A AÇÃO: esse é o caminho mais acertado, mas certamente o mais difícil a ser seguido. É comum vermos pais de autistas que não tem interesse ou habilidade em aprender técnicas de como modificar o comportamento da criança. Isso também vem da tentativa de não frustrar seu filho, de não fazer ele sofrer, porque muitas vezes fazer isso exige retirar a criança da zona de conforto. Crianças autistas precisam de muita técnica, paciência e perseverança para que possam aprender novos comportamentos e habilidades, porque é da natureza do autismo que elas demorem muito mais que as crianças típicas a aprender algo pela experiência.

“Não quero ser terapeuta do meu filho, não quero ser professor. Quero ser apenas pai, apenas mãe”. Acontece que a missão primordial dos pais é educar seus filhos, ensiná-los. Quando se tem um filho autista, é necessário que tenhamos um treinamento maior para que consigamos ensinar, incentivar a criança a criar novas habilidades, coisas que ocorrem espontaneamente nas crianças típicas.

Vários estudos demonstram que o envolvimento dos pais no treinamento da criança autista desempenha um papel definitivo na aquisição de novas habilidades e no desfecho das crianças autistas.

A pauta deste post é alertar à comunidade de que a palavra AUTISMO não pode ser utilizada como uma desculpa para que essa criança não receba o estímulo e treinamento adequados. Toda criança pode aprender, basta que enxerguemos a maneira mais adequada de ensinar a cada uma. Crianças autistas precisam ser incluídas integralmente. Vamos todos, pais, professores, terapeutas, nos mexer e aprender a estimular e ensinar nossas crianças.

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