INTRODUÇÃO ALIMENTAR – MITOS E VERDADES

INTRODUÇÃO ALIMENTAR – MITOS E VERDADES

535756_400010296699777_558451143_nA introdução alimentar é um dos temas que mais nos deparamos com mitos e bizarrices. Acontece de tudo: desde frutas proibidas, proibição do grão do feijão, retirar a carne cozida junto dos legumes e não oferecer ao bebê… até oferecer danoninho, pudim, bolachas doces, papas de bolacha.

Nesse post, vou colocar informações relevantes, baseadas em evidência médica, e também recomendações que acredito serem as mais importantes para esse momento tão especial.

 

QUANDO COMEÇAR:

– Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, a introdução alimentar deve ocorrer após os seis meses de vida. Até lá, amamentação exclusiva, e, no caso de não ser possível, oferecer fórmula de partida.

– Pela Academia Americana de Pediatria, entre 4 a 6 meses podemos introduzir a alimentação.

Na minha prática médica, levo em consideração vários fatores para determinar quando é indicado começar. Nunca oriento antes dos 5 meses, e observo se há boa firmeza cervical e tronco, pois este tônus está associado a uma deglutição mais madura, com menos risco de engasgo. Também considero se há interesse da criança, e, no caso do bebê que recebe fórmula, ou que já está indo para a creche, costumo pesar para o lado de indicar aos 5 meses a introdução.

 

COMO COMEÇAR:

O bebê precisa estar sentado para que se ofereça a alimentação. É importante que ele esteja descansado e tranquilo. Por isso, inicialmente, não é necessário ter um horário rígido.

Os alimentos iniciais podem ser frutas ou legumes, em forma de purê. Esmague com garfo e pique bem, mas evite o uso do liquidificador ou processador.

Para escolher a melhor opção, frequente a feira local. Legumes e frutas da estação, além de mais baratos, geralmente têm menos agrotóxicos.

Depois, conforme a aceitação, mais refeições, e maiores volumes vão sendo ofertados. As frutas e legumes podem ser misturados, fazendo as papinhas e trabalhando variações de sabores.

 

ALIMENTOS PROIBIDOS?

Ainda é bastante difundido que ovos e alimentos com risco de alergias devem ser evitados. Porém, os estudos são claros em demonstrar que atrasar essa introdução NÃO protege a criança de alergias.

Então, pode tudo? Não é bem assim. É necessário focar numa alimentação saudável, com comida de verdade, evitando o açúcar, os farináceos “de bebê”, os sucos industrializados, os biscoitos.

Mel não pode entrar na alimentação infantil até 1 ano, pelo risco de contrair botulismo.

Alimentos duros, e em formatos que favorecem engasgo, como amendoins, picocas nozes, balas, uva inteira, também devem ser evitados, até os quatro anos.

Gente, pode dar feijão, e com grão, tá? Pode dar a carne, pode dar o frango, e comece a oferecer ovo com cuidado, primeiro a clara, depois a gema, a partir dos seis meses de vida.

 

COMIDA DE BEBÊ PODE TER TEMPERO?

Nada é mais insosso que uma papa feita de legumes fervidos na água, sem sal, sem nada temperando. Essa é a pior forma de preparar a alimentação do seu bebê.

A comida tem que ser saborosa, podendo ser usado cebola, alho, cebolinha, salsa, manjericão… temperos naturais.

Refogue os legumes na manteiga, ghee, óleo de coco, banha ou azeite de oliva. É garantia de sabor.

Evite frituras, margarina, óleos vegetais.

 

E O SAL, PODE?

Esse é um momento de muita controvérsia. A rigor, a recomendação é de que não se adicione sal na alimentação do bebê até um ano.

Por outro lado, o conceito de nutrição infantil mais atual é de que o bebê, após os 9 a 10 meses, esteja inserido na alimentação da casa, e nosso foco é em melhorar a comida de todo mundo (pai, mãe, irmãos…) para que todos tenham uma alimentação saudável. Assim, deveríamos reduzir o sal da comida da casa, e o bebê comeria alimentos com pouco sal também.

A alimentação da criança é reflexo da alimentação da família. De nada adianta preparar a sopa do bebê e continuar comendo comida industrializada ou de baixa qualidade. Cedo ou tarde, a criança vai entrar nesse ritmo também.

 

E CADÊ AS RECEITINHAS DA COMIDA DO BEBÊ?

Noto que as famílias despendem grande energia na preparação de alimentos para o bebê. Não há nada errado com isso, porém, como sugestão, busquem receitas de alimentação saudável que podem ser incluídos para toda família. Assim, o esforço saudável se multiplica e se estende a todos.

IMPORTANTE: este post não substitui a orientação alimentar do seu pediatra, pois não se dedica a abranger todo o assunto da introdução alimentar, e toda família precisa ter uma abordagem individualizada nesse momento tão especial.

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