Seletividade Alimentar – Dicas de uma Terapeuta Ocupacional

5-6 years old boy and plate of cooked vegetables isolated on white

Paula Bertoldi Sardagna – Terapeuta Ocupacional paula

Hoje postando um assunto que interessa muitos pais, de uma forma que não vemos usualmente. Pedi à Paula que compartilhasse conosco seu olhar único e especial à criança que não come, e algumas dicas que podem ajudar a hora da comida ficar mais tranquila.

 

Você provavelmente conhece aquela criança que não come. Que recusa todo tipo de alimento, apresentando-se disposta a comer apenas alguns tipos de alimento. Em geral, os pais já passaram um caminho difícil: já tentaram de tudo! Forçar, barganhar, distrair… e nada funcionou.
A criança tem aversão a vários alimentos, é resistente em experimentar alimentos novos, e só se sente confortável com alguns poucos alimentos selecionados. Muitas vezes, a criança pode apresentar náusea e até vomitar quando exposta a algum alimento ou ao toque, ou até o cheiro, de determinados alimentos.
Comumente, os vizinhos e amigos, e até o pediatra e psicólogo, costumam interpretar esta atitude como “comportamento típico de crianças pequenas”, ou que a criança está exercendo controle sobre os pais e o ambiente.
Porém, o terapeuta ocupacional costuma ter um olhar diferente em relação a esta questão. Muitas crianças que apresentam essa seletividade estão passando por uma alteração no processamento sensorial.
A alteração de processamento sensorial pode afetar o hábito alimentar da criança de várias formas diferentes:
Hipersensibilidade oral, provocando reflexo de vômito e fazendo com que a criança evite o alimento.
Hipersensibilidade olfatória, evitando determinados cheiros fortes em alimentos.
– Algumas crianças tem uma tendência a buscar estímulo sensorial, evitando alimentos moles e batidos, preferindo aqueles com mais textura ou crocantes.
– Crianças com alterações motoras podem ter dificuldade em usar talheres, evitando alimentos difíceis e trabalhosos de comer.
– Crianças com tônus muscular diminuído podem ter dificuldade em mastigar e engolir, preferindo alimentos mais pastosos.

Embora, para melhor elucidação do caso, é necessária uma avaliação especializada por um terapeuta ocupacional habilitado, algumas dicas para crianças que apresentem disfunção no processamento sensorial e  que podem ajudar os pais e cuidadores para tornar a hora da alimentação mais tranquila:
– Tente identificar o porque a criança recusa determinado alimento, pode ser pela textura, cor, cheiro, disposição do alimento no prato entre outros.
– Permita que a criança vivencie brincadeiras de exploração corporal e que estimule os sistemas sensoriais como por exemplo em parquinhos (balanço, gangorra, escorrega…)
– Ofereça diversos objetos com texturas diferentes para a criança explorar com as mãos e o corpo (massinha, grãos, farinha, areia, tecidos, matérias que se transformam na água como esponjas, espumas, entre outros)
– Respeite a limitação do seu filho. Não force os alimentos, nem use de punição. Inserir pequenas porções de alimentos novos e por vários dias consecutivos.
– Insira os alimentos para toda a família. É necessário que a criança vivencie e observe que esses alimentos fazem parte do hábitos alimentar de todos.  
– Tente incentivos ou trocas na hora de experimentar alimentos novos.
– Nunca desista da criança, com as estimulações adequadas a seletividade alimentar deve melhorar.

 

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