Alimentação no Primeiro Ano de Vida – Quebrando antigos paradigmas

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Recentemente o conceito sobre quando introduzir alimentos considerados alergênicos para os bebês modificou radicalmente.

Por várias décadas, pais receberam a recomendação de evitar a introdução de alimentos alergênicos até os 12 meses (derivados do leite de vaca e ovos), e até os 24 meses (peixe, nozes, amendoim). Em 2008, a AAP (Academia Americana de Pediatria) retirou seus guidelines sobre o assunto, informando que não havia evidência científica que suportasse a introdução tardia de alimentos como uma estratégia de reduzir o risco de alergias alimentares, porém, não ofereceu naquele momento nenhum guia específico sobre como proceder com a introdução dos alimentos.

A evidência trazida por muitas pesquisas sobre introdução dos alimentos e risco de alergia alimentar apontou para uma conclusão interessante: a introdução precoce de alimentos alergênicos se associou a menor risco de desenvolver alergias alimentares, quando comparado à tradicional introdução tardia. Apesar disso, por falta de recomendações específicas, muitos pediatras julgaram prudente manter a recomendação antiga, à espera de guidelines que esclarecessem o modo e tempo para introdução desses alimentos alergênicos.

Em Janeiro de 2013, a AAAAI (American Academy of Asthma, Allergy and Immunology) publicou novas recomendações na prática de introdução de alimentos que ajudam a prevenir alergia alimentar, e afirmou que atrasar a introdução de alimentos como trigo, derivados de leite de vaca (queijo e iogurte), peixes e nozes pode na verdade resultar em um aumento do risco de alergia alimentar ou eczema.

http://www.jaci-inpractice.org/article/S2213-2198(12)00014-1/fulltext

http://www.uptodate.com/contents/starting-solid-foods-during-infancy-beyond-the-basics

Então, Como Proceder?

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) ainda não se pronunciou sobre os novos guidelines, portanto o assunto ainda é  muito recente, e que gera muitas dúvidas nos pediatras e nos pais quando há recomendação diferente.

A amamentação deve ser exclusiva até aproximadamente os seis meses, e a partir daí alimentos devem começar a ser introduzidos, enquanto a amamentação deve ser mantida, segundo a SBP, até os dois anos ou mais. Pode se introduzir alimentação sólida ao bebê entre os 4 a 6 meses, se indicado pelo pediatra e se o bebê mostra sinais que está pronto para a deglutição.

Sinais que o bebê está pronto para receber alimentos sólidos:

  • Tem, no mínimo, 4 meses de vida, sendo ideal com 6 meses de vida.

  • Consegue segurar bem a cabeça e senta com apoio

  • Abre a boca quando vê comida, mostra interesse quando vê outros comendo

  • Consegue engolir alimentos em forma de purê fino, ao invés de empurrar para fora com a língua.

–> Nunca comece a introduzir sólidos antes que todos os itens acima estejam presentes.

 

Comece com alimentos com texturas bem finas, feitos de apenas um ingrediente. Dê pequenas quantidades no início, progredindo com o tempo.

Vá introduzindo cada alimento um a um, a cada dois a três dias, observando se há sinais de alergia, como erupções na pele.

Os primeiros alimentos, comumente, são as frutas, como a banana amassada, maçã raspada, pêra e purês de legumes cozidos. Após boa aceitação de cada um, pode começar a oferecer combinações de alimentos.

Assim que o bebê estiver acostumado com alimentos com textura fina, vá evoluindo para pequenos pedaços macios, aumentando a consistência.

Após os seis meses, você poderá introduzir, um a um, alimentos como a carne e o frango, peixes, ovos, mantendo a recomendação de observar a introdução de um alimento novo a cada dois a três dias, observando se há reação.

 

O QUE EVITAR:

Os alimentos a serem evitados para bebês são:

  • Mel: pelo risco de possuir esporos da bactéria do botulismo

  • Alimentos que tenham risco de engasgo, até os 4 anos ou mais: como pipocas, castanhas e nozes inteiras ou pedaços grandes, pedaços de alimentos duros, balas.

NOTA: Este post apenas discorre brevemente sobre atualização científica acerca da introdução de alimentos alergênicos em bebês. Não substitui a orientação pediátrica e de nutricionista pediátrico. Novas diretrizes brasileiras a respeito do tema são aguardados ansiosamente. 

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