O Papel do Pediatra no Pré-natal, Sala de Parto e Consultas Pediátricas

LEMBRETE DA AULA MINISTRADA EM 27/03/2014 NO CURSO DE GESTANTES DO HRAV, PROMOVIDO PELA UNIMED ALTO VALE.

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O pré-natal serve para avaliar o estado de saúde da mãe, do feto e do andamento da gestação. Deve ser feito desde o primeiro trimestre.

 

Gravidez de risco:

Mãe com <16 anos ou >35 anos, diabetes, hipertensão, uso de drogas, álcool, cigarro, medicamentos não liberados para gestação, história de óbito fetal.

Feto com malformação congênita, muito líquido amniótico, ou pouco líquido, prematuridade, gêmeos, retardo no crescimento dentro do útero.

No parto, posições anômalas, como pélvico ou transverso, líquido amniótico com mecônio, bolsa rota por mais de 18 horas, descolamento prematuro de placenta.

# Algumas das citadas envolvem mais gravidade que outras. É importante esclarecer com seu médico situações específicas.

 

O Papel do Pediatra no Pré-Natal

A consulta antes do bebê nascer é importante para conhecer o médico, estabelecer o vínculo, sanar dúvidas da mãe e do pai, e esclarecimento de situações específicas da gestação. Os futuros papais escolhem seu pediatra para atendimento do seu bebê na sala de parto e na maternidade.

 

Benefícios da consulta pediátrica pré-natal

Aumenta o vínculo com o pediatra, reduz a chance de doenças na mãe e no bebê, aumenta o tempo de aleitamento materno exclusivo, de acordo com vários estudos epidemiológicos. Se há situação de risco para o bebê, ele pode responder várias dúvidas.

 

O Atendimento em Sala de Parto

Todo material e equipe para atender ao RN deve estar em sala, pronta para qualquer atendimento. Por orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria, todo bebê deve ser atendido por pediatra treinado em ressuscitação neonatal na sala de parto.

Ao nascer, é clampeado o cordão, e o bebê é levado para o berço aquecido. Ali o pediatra faz a avaliação inicial do bebê, baseada no APGAR: Frequência Cardíaca, Respiração, Irritabilidade, Tônus e Cor. Cada um dos parâmetros recebe uma nota de 0 a 2. Avaliação ocorre permanentemente, mas o APGAR é feito no primeiro minuto e no quinto minuto.

Segundo a AHA (American Heart Association), todo bebê nascido de uma gestação a termo (>37 semanas), com líquido amniótico claro, que nasce respirando ou chorando, com bom tônus muscular é um bebê de baixo risco para ressuscitação.

O bebê é examinado de forma segmentar, cabeça, tronco e membros.

O bebê recebe nas primeiras horas de vida colírio para prevenção de conjuntivites e vitamina K para evitar a doença hemorrágica do recém nascido.

O bebê estável, de baixo risco, com exame físico não preocupante, é levado para junto da mãe, no aconchego materno, sendo prescrito amamentação em livre demanda, cuidados com o coto umbilical e obtenção dos sinais vitais regular. Ali ele fica sempre junto de sua mãe.

Bebês de médio ou alto risco podem precisar ser levados para a UCIN (Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal) ou UTI neonatal. Situações específicas devem ser conversadas com o pediatra.

 

Aleitamento materno

O aleitamento materno, não custa reforçar, é o melhor alimento para o bebê, deve ser exclusivo nos primeiros 6 meses; isso quer dizer não dar água, chá, complemento de outros leites nem nenhum tipo de outro alimento.Ele é completo, já está pronto, vem na temperatura certa, transfere imunidade ao bebê, aumenta o vínculo familiar e é de graça. Reduz risco de infecções, não precisa lavar nem esterilizar mamadeiras. Deve ser prioridade para a família incentivar o aleitamento materno.

Amamentar requer conhecimento e prática, portanto mães que se informam sobre o assunto têm maior chance de sucesso na amamentação.

Os pais devem encorajar o aleitamento materno também. Quando o pai apóia o aleitamento e colabora de forma positiva para isto, a chance de sucesso é muito maior.

Portanto, papais, encorajem as mamães, ajudem mais no serviço da casa, peguem bastante o novo bebê no colo, participem mais, trocando fraldas, aprendendo a dar banho, enfim, fortalecendo os laços com seu filho. É comum o pai se sentir relegado a último plano e não saber como agir. E no meio de várias mulheres circulando, a mãe, a sogra, a esposa, todas opinando em volta do bebê, acaba por se afastar por não saber como participar.

 

Alta Hospitalar

Critérios: mínimo de observação de 48 horas, peso > 2kg, Estável clinicamente.

Teste do Olhinho: feito pelo pediatra, para detectar doenças oculares congênitas

Teste da Orelhinha: feito pela fonoaudióloga, para detectar surdez congênita ou lesões do ouvido.

Teste do Pezinho: feito no terceiro ao quinto dia de vida tipicamente, detecta 5 doenças: fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, hiperplasia adrenal, fibrose cística e hemoglobinopatias. Há possibilidade de fazer o teste plus ou o master na rede particular. Informe-se com seu pediatra.

 

Consultas Pediátricas: A Puericultura

É o acompanhamento integral da criança, observando seu desenvolvimento, crescimento, saúde, e promovendo medidas preventivas que irão beneficiar as crianças por toda sua vida. A infância é a parcela da população mais sensível às medidas de prevenção, então este trabalho é extremamente importante e com grande benefício na saúde geral da população.

A consulta de puericultura tem como foco a criança como um todo, seu bem estar físico, social, mental, desenvolvimento neuropsicomotor. Tem como foco orientar medidas de saúde com grande implicação em sua saúde, como as vacinas, a alimentação adequada, desenvolvimento global, prevenção de acidentes ajustado À faixa etária e habilidades da criança, e discutir temas como disciplina e limites.

Consultas: 1x/mês de 0 a 6 meses; trimestral até os dois anos. Segue atendendo semestral ou anual até o final da adolescência.

 

A Primeira consulta de Puericultura:

É focada principalmente na adaptação do núcleo mãe-filho, amamentação, problemas que possam ter surgido, controle do peso do bebê e reassegurar os pais sobre o estado de saúde de seu bebê. Também é necessário avaliar se há icterícia, como está o coto umbilical, enfim, tirar dúvidas dos pais.

Dúvidas frequentes da primeira consulta:

Choro: é a forma que o bebê tem para se comunicar, e ele pode significar muitas coisas: fome, sono, frio, calor, assincronia com o ritmo familiar…

Cólica: ocorre tipicamente após a segunda semana de vida, podendo durar até os 4 meses de vida. Afeta 5 a 25% dos bebês, e embora seja uma grande preocupação para os pais, <5% apresentam uma causa patológica para este choro.

          Alerta: sintomas que sugerem gravidade no recém nascido: vômitos, diarréia, febre, distensão abdominal, letargia, ganho de peso insuficiente.

 

Controle do choro: enrolar o bebê em cueiro de malha, com cuidado para não superaquecer, white noite, técnicas de relaxamento como shantala (massagem para bebês) ou banho de balde.

 

Como orientações gerais para os futuros papais, sugiro:

  • Amamente seu bebê, não forneça bicos ou mamadeiras;

  • coloque seu bebê para dormir sempre de barriga para cima, para diminuir o risco de morte súbita do lactente

  • A lavagem das mãos é a técnica mais eficaz para evitar infecções, e é recomendável que se lave frequentemente. Alcool gel ajuda também, em pontos estratégicos.

  • Limpe o coto a cada troca de fraldas com álcool a 70%

  • Mantenha vacinas em dia

  • Mantenha acompanhamento pediátrico regular.

 

# Este material é apenas um lembrete da aula ministrada no curso de gestantes no auditório do HRAV, e tem como objetivo fixar alguns pontos de importância, de forma geral. Não substitui a orientação médica, não define casos específicos e não substitui a consulta obstétrica e pediátrica.

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