PEDIATRA, MÃE, FOTÓGRAFA NOS MOMENTOS LIVRES…

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Para quem não me conhece, meu nome é Rita, sou médica pediatra / intensivista pediátrica, mãe de três lindos meninos, e fotógrafa amadora, cada vez menos tempo para dedicar a isso, mas é um hobby que aprecio.

Há tempos penso em criar um blog. Acho que tenho muito a acrescentar, tenho uma vivência única no cuidado de crianças que merece ser compartilhada. Neste momento estou começando algo novo em minha vida, o meu consultório particular. Pensei, então, que este é um momento oportuno para criar um blog, um canal de comunicação com as mães, troca de experiência e conselhos em pediatria.

Quem me conhece do tempo da formação em pediatria deve lembrar do meu ambulatório. Sempre cheio,  com crianças complicadas, múltiplas patologias. Fazia aquilo com muito amor e dedicação. Lembro que tive que convencer meus professores a me deixarem atender no ambulatório desde o primeiro ano, sentia necessidade de acompanhar meus pacientes, e gostava especialmente das crianças ditas “crônicas”, com várias doenças juntas. Sempre me gratificou muito poder ajudar aquelas mães e crianças.

Acabei depois me especializando em intensivismo pediátrico. Especialidade difícil, lidando com problemas complicados. Cuidar de uma criança no pior momento da vida dela, que é quando ela vai para uma UTI, é algo realmente difícil de fazer, desgastante, mas sempre falo que a compensação é muito maior. Cada vez que uma mãe me levou uma criança que cuidei na UTI pediátrica para que eu a visse bem, me emocionava. Meu trabalho certamente faz diferença, e tenho memórias ternas de todas aquelas crianças e suas mães.

Depois veio a maternidade. Meu primeiro filho veio de surpresa. Fazia algum tempo que tentava engravidar, mas sem conseguir, acabei focando em outros objetivos. Tive a bênção de receber em outubro de 2011 um bebê lindo, perfeito. E acabei conhecendo um amor que é maior que tudo que existe no meu mundo.

De surpresa, também, veio a descoberta da gravidez dos gêmeos. Esta foi uma gravidez complicada, que culminou em um parto prematuro com 28 semanas de gestação. À época tinha um bebê fazendo aniversário de um ano  e dois bebês prematuros em UTI neonatal.
Naquele momento comecei a sentir na pele o que mães que passam com seus filhos em UTI sentem, agravado pelo fato de ser intensivista, que me dava noção da gravidade das complicações dos meus filhos. Foi sofrido, passei muita dificuldade com a equipe médica, uma postura muito “laid-back” frente aos meus questionamentos, coisas que prefiro não comentar, mas que me marcaram e que certamente nunca irei perdoar nem esquecer.

Quem me conheceu na residência lembra que eu sempre dizia que “ a UTI tem 12 leitos, temos 12 crianças a cuidar”, e que para cada mãe, o seu filho é o mais importante. Minha experiência com meus filhos internados me fez prometer que jamais trataria uma mãe com julgamento, e sim tentar entender o que acontece, colocá-la frente à realidade e dar apoio.

Tenho dois filhos com alguma doença genética desconhecida, em investigação, que determina o fechamento precoce das suturas cranianas, e complicações a partir disso.
Tive um ano difícil, entre exames, busca por vários médicos, cirurgias, testes… vamos dizer que vivo uma maternidade mais intensa que o usual, com três bebês, e mais complicada também, já que minhas preocupações vão além do comum com meus filhos.
Mesmo assim sinto-me forte e preparada, sempre gostei muito de parenting books, e sigo estudando muito sobre os problemas que meus filhos apresentam.

Sempre lutarei por eles, é o que me dá força, e não aceito nada de barato atualmente. Desde a UTI neonatal eu insisto que um dos meus bebês apresenta algo neurológico. Mesmo assim passaram-se meses até que conseguíssemos entender o que ocorria com ele. Tive muitas decepções com pessoas que achei que poderiam me dar algum apoio emocional, fui muito julgada, como se estivesse vendo “chifres em cabeça de cavalo”, sofri muito.

Mas também encontrei pessoas que me ajudaram muito, como a pediatra atual dos meus filhos, a Marlou, e minhas colegas de plantão, tanto na Bahia (Cláudia, Cintia, Suzi, Nara, Rafa, Vivian, Fran, Aline) como aqui em Rio do Sul (Janaína, Simone, Aline, Juliano). Fizeram trocas de plantão inimagináveis para que eu pudesse acomodar minha escala e os exames, cirurgias e consultas dos meus filhos.
Também conheci alguém que me ajudou bastante nas conversas sobre meus anseios e preocupações, e que hoje estamos montando uma parceria na abertura do nosso consultório particular, a Michele. Tivemos muita ajuda da minha família e do meu marido, nos momentos mais complicados, e foi muito importante.

Agora tudo começa a ficar mais tranquilo, a poeira assentando. É momento de me assentar também. Escolhi esta cidade para criar meus filhos, então começo aos poucos a criar raiz.

A criação deste blog serve para aumentar a comunicação entre mamães que tenham dificuldades, que queiram compartilhar suas angústias e felicidades. Também serve de canal para recomendações comuns em pediatria.

E quanto à fotografia? Bom, tenho pouco tempo para me dedicar a este hobby, meu marido também compartilha da mesma paixão. Mas quando possível, quero postar fotografias também, de meus filhos, de meus pacientes…

 Obrigada pela atenção, e sintam-se livres para comentar e compartilhar.

 

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